Já faz seis dias que não saio
da aridez deste encantamento.
Já decorei todos os tacos do assoalho
e as rachaduras deste apartamento.
Os dias não parecem ruins ou piores.
Nem o clima, nem o tempo, nem o vento.
Nem a condenação nos olhares,
nem a falta de sentimento.
Da janela do oitavo andar,
os problemas me parecem distantes.
Já não me parece absurdo pular,
nem voar por um instante.
Fechei a porta do corredor,
joguei a chave no encanamento.
Minha vida desceu pelo elevador
e eu fiquei
trancado
aqui dentro.
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