quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Toda a obra poética de Vinícius de Moraes para download
sábado, 1 de outubro de 2011
HQs completas de Robert Crumb
Para acessar: http://bit.ly/96UMjY
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Toda a obra de Wolfgang Amadeus Mozart para download
O site www.mozart-weltweit.com disponibilizou para download legal e para audição on-line, toda a obra do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, composta por cerca de 700 peças, totalizando mais de 180 horas de música. Mozart foi o mais importante e prolífico compositor do período clássico. Suas obras são referenciais na música sinfônica, concertante, operística, coral, pianística e de câmara. Mozart compôs o primeiro concerto aos 11 anos de idade e o último em 1791, ano de sua morte, aos 35 anos. Entre suas obras estão 41 sinfonias; 19 missas (incluindo o Requiem); 27 concertos para piano; concertos para trompas, flauta, oboé, clarineta, fagote e harpa, 12 árias de concerto; 13 serenatas; 50 canções para voz e piano e 24 óperas, com destaque para “A Flauta Mágica” “Idomeneo”, “Don Giovanni” “O Rapto do Serralho” “Cosi Fan Tutte” e “As Bodas de Fígaro”. Para fazer o Download basta clicar sobre a opção desejada, com o botão direto do mouse pressionado, e mandar salvar.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
LINGUAGEM INCONSCIENTE E COMUNICAÇÃO
A capacidade de reconhecer, de amar e de temer a realidade desenvolve-se antes da aprendizagem da fala; sendo esta última caracterizada como a faculdade primordial no processo de ajuizar a realidade. Certo é que já existira uma consciência sem palavras, passível de se observar posteriormente, em indivíduos adultos, como estados regressivos sob a forma de "pensamento fantástico pré-consciente". Mais não é, contudo, do que um simples predecessor indiferenciado do pensamento, predecessor no qual ainda se vêem todas as características do Ego primitivo, quais sejam: o amplo alcance dos conceitos, as semelhanças tomadas por identidades, as partes por todos; e no qual os conceitos se baseiam em reações motoras comuns. Pode-se afirmar, sem dúvida, que toda a idéia singular, antes de formular-se, terá passado por um estado não-verbal anterior.
"... o inconsciente opera de acordo com disposições a que Freud deu o nome de 'processo primário' e o consciente de acordo com o 'processo secundário'. A lógica comum aplica-se a este último processo mas não ao primeiro; os mecanismos que podem ser observados em sonhos caracterizam a ação do processo primário."(Apud 1:328).
À luta pelo controle dos impulsos instintivos sem dúvida se pode acrescentar o desenvolvimento intelectual. Passa-se da fantasia emocional para uma realidade sóbria, explicável, e esta variação tem também a missão de combater a angústia. É aí que está o conteúdo racional da velha crença mágica de que se pode dominar aquilo que se pode nomear. A criança experimenta a aquisição da faculdade da fala como sendo a realização de um grande poder, aquisição que transforma a "onipotência do pensamento" em "onipotência das palavras". O pensamento emocional pré-lógico parece dirigir-se apenas pela aspiração à descarga e distancia-se da realidade concreta; mas é pensamento, por que está formado de imaginações - segundo as quais se praticam atos posteriores. Realiza-se por meio de imagens pictoriais, concretas, ao passo que o processo secundário mais se baseia em palavras.
Outra característica do pensamento arcaico é representada pelo simbolismo. O símbolo é consciente; a idéia simbolizada‚ inconsciente. Deslocamento é a característica que compreende o que chamamos de representação simbólica dentro da teoria psicanalítica. Nos adultos, uma idéia consciente pode servir de símbolo a fim de ocultar uma idéia inconsciente inconveniente: a idéia de um falo, se for inconveniente, poder ser deslocada para a representação de uma cobra, um avião, uma torre. O uso dos símbolos representa regresso a um estágio primitivo (mais antigo) do pensamento, regresso pelo qual se produzem as distorções pretendidas.
"Referimo-nos ao processo da gratificação fantasiosa, (...), é que uma fantasia, quer em devaneios, quer em sonho, na qual um ou vários desejos do Id se manifestam realizados, proporciona, realmente, uma gratificação parcial dos impulsos do Id que lhe dizem respeito e uma descarga parcial de sua energia."(2:79).
A natureza regressiva das representações simbólicas pode indicar dois fatos:1 - que os símbolos, constituindo resíduo de um modo arcaico de perceber o mundo, sejam comuns a todos os seres humanos;
2 - que o pensamento simbólico ocorra tanto nas ocasiões em que se tem de fazer distorções, quanto nos estados de fadiga, sono, psicose e, de um modo geral, na primeira infância, ou seja, em todos os estados nos quais se situam em primeiro plano as características do Ego arcaico.
O desenvolvimento da faculdade da fala transforma este estado "pré-pensamento" em pensamento lógico, organizado, mais ajustado, o qual segue as determinações do processo secundário. Representa passo decisivo para a diferenciação final de consciente e inconsciente para o princípio de realidade. O pensamento lógico, manipulador dos conceitos e objetos da realidade, pressupõe um Ego forte, capaz de adiar satisfações, de tolerar tensões; um Ego rico em contracatexias (capacidade de resistir a impulsos ou pulsões primitivas) e disposto a julgar a realidade conforme a sua experiência. Fraco que esteja o Ego, cansado, adormecido, sem confiança na sua própria realidade, desejoso de um tipo receptivo de controle, neste caso o tipo pictorial de pensamento atrairá mais do que a inteligência objetiva: fica fácil entender que quem esteja fatigado prefira um filme a um jornal, uma revista ilustrada a um livro técnico. É neste ponto que "As profundas análises que Freud fez do simbolismo do inconsciente esclarecem também os diferentes caminhos pelos quais se realiza o simbolismo da linguagem."(3:92).
Percebe-se, hoje em dia, o alastramento de uma semiologia "onírica", ou seja, formas de comunicação profundamente vinculadas ao processo primário, onde imagens pictoriais suplantam sensivelmente a linguagem relativa ao processo secundário. É o império das formas visuais, das imagens contundentes, da ação em detrimento do pensamento lógico. Parece que, através de uma "infantilização" regressiva, tornou-se praxe e tremendamente lucrativa a comercialização de obras comunicativas onde a fotografia, os planos milimetricamente estudados, os enquadramentos perfeitos traduzem a substância essencial de uma nova abordagem em relação ao espectador. Talvez seja a atualidade de um mundo a abrir as portas de uma nova forma de percepção, uma semiologia do terceiro milênio. Não nos cabe julgar a validade dessa emergente indústria do processo primário e sim, lançar as raízes de uma análise isenta de preconceitos e submissão a essa estrutura lingüística que agora norteia nossos meios de comunicação.
2. BRENNER, Charles. "Noções básicas de Psicanálise". 3. ed. Rio de Janeiro, Ed. da Universidade de São Paulo, 1975.
3. DAVIDOFF, Linda L. "Introdução à Psicologia". São Paulo, McGraw-Hill do Brasil, 1983.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
__________________________________________________ 1992
- CONTEMPLAR AS ESTRELAS À NOITE É MUITO FÁCIL ...
DITO ISSO,
PEGOU UM GARFO,
ENCOSTOU-O SOBRE O PEITO
E DEU DUAS MARTELADAS COM O SALTO DO SAPATO.
NA PRIMEIRA,
O GARFO BATEU NUMA COSTELA
- UM BARULHO DE METAL DESLIZANDO SOBRE O OSSO -
E SÓ CONSEGUIU RASGAR A PELE DO TÓRAX.
NA SEGUNDA,
AFUNDOU CARNE ADENTRO,
FÁCIL, FÁCIL,
ATÉ ATRAVESSAR O CORAÇÃO.
- IMPULSOS NEURÓTICOS TORCERAM O FLUXO DOS FLUIDOS
NO FUNDO DA COZINHA.
MAS HOJE,
OLHANDO ATRAVÉS DA VIDRAÇA,
TUDO ME PARECE
MUITO FÁCIL.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
No Atelier

Prisioneiro da vaidade,
Atolado em tantos dissabores.
Perversamente enfastiado,
invado ternamente meus rancores.
Diz alguém que, às vezes, os Deuses nos visitam.
Completamente alucinado,
domino o inimigo que me habita.
A esfinge, eu sei, é o medo eterno
de percorrer esse enigma.
No atelier silencioso,
percebo, enfim, como o espelho me retrata.
Concessões que fiz ao tempo
nem às gavetas mais importam.
Do outro ser que eu vivia
restou somente a poesia
de poder avisar ao compor:
Nada que eu diga
irá calar a tua dor;
nada
cairá do céu,
nem o teu brilho,
nem o teu calor.
quinta-feira, 10 de março de 2011
A Cor que faltava

Egípcios, cretenses, sassânidas, bizantinos, otomanos, góticos. Entre os mosaicos da mente humana, através dos tempos, o espírito de Maurice preside a sua busca com autoridade própria dos imortais. Seus olhos esquadrinham os universos possíveis contidos nos excertos dos medievalistas. Bombaim, Ankara, Marselha, Recife e, agora, Porto Alegre presenciaram secretamente a sua imensa capacidade de perseguição. Maurice teve que envelhecer sessenta e oito anos para vencer o duelo contra os códigos entrincheirados na escuridão da ignorância. A deformação exagerada dos traços de sua personalidade empurrou-o ao encontro dos apelos dionisíacos dos magos do velho mundo. Saqueou os mistérios hibernantes dos mosteiros, penetrou a estrutura dos contornos dos pilares babilônicos, instruiu-se com os fantasmas guardiões das bibliotecas alexandrinas, bateu-se em combate verbal contra os quarenta e sete capitães de um ermo jardim nas proximidades do Labirinto.
A história desconhece os diversos momentos desse pesadelo tão lúcido compartilhado por tão poucos. Existem os templos arrancados da pedra, bordados pelo inconsciente coletivo e contemplados pela parte da humanidade que não está no seu ciclo individual de guerra; mas sabemos, também, dos monumentos não físicos, erigidos pelos pensamentos decentes e só acessíveis à arqueologia alquímica. Maurice desenterrou habilmente os genes lingüísticos dessa ciência. Em Marselha, onde instalou o escritório central de sua empresa cabalística, estudou a sintaxe contida na engenharia das catedrais. Aprendeu a reconstruir gramaticalmente as definições e os pentagramas vandalizados pela noite dos séculos. Seu plano sofreu um desvio fundamental quando Maurice sonhou com o Enigma óbvio.
No enredo onírico, um cidadão da Saxônia, pálido e roído pelos germes da lepra, segurava com mão plúmbea sua garganta. Maurice pensou, enquanto sonhava, que a culpa o enforcava lentamente. Mas, do ar que se extinguia dos seus pulmões, foi brotando uma gigantesca bolha de vidro, portando todas as cores do mundo. A bolha explodiu e seus pedaços ficaram grudados na parede, formando um imenso vitral. Vitrais ! Maurice acordou tão espantado e tão afoito em dominar tal linguagem que nem viu as marcas de dedos impressas no pescoço e refletidas pelo espelho. Foi numa madrugada de sexta para sábado que os fornos adquiriram sentido na existência do francês. Mais vinte anos escorreram pelas artérias desse homem, decifrando a metáfora das cores, a lógica estrutural desse peculiar tipo de composição e o significado de uma arte que descrevia, entre outras coisas, os princípios éticos das relações cósmicas. Apropriou-se dessa semântica. Leu todas as esperanças de uma sabedoria pré-histórica, expressas na freqüência da luz modificada pelo vidro. Percebeu o jogo das elipses envolvido no mundo emaranhado das cores. Decodificou cada uma dessas elipses. Todas elas ? Não. Faltou uma. Agora, ele levanta os olhos de um livro amarelado e comido pelas traças, deserdado numa banca de saldos da Feira do Livro de Porto Alegre. Subitamente, sente o ar evadir-se dos pulmões e um nó górdio formar-se na garganta. Dez anos adormecidos em seu coração despertam bruscamente com uma visão. Natalie. Na sua frente, olhando para ele. Os dois unidos por uma saudade recíproca. Maurice percebe, num violento "insigth", que acumulou todos os tesouros dos antigos, todos os movimentos de sua vida, para compreendê-los instantaneamente numa praça de uma cidadezinha brasileira. Para trocá-los pela cor dos olhos de Natalie. O chumbo finalmente transmuta-se em ouro.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Sem carona
Um pirralho de quatorze anos, pensando que sabe tudo da vida, esticando o polegar na beira da estrada. O asfalto derretendo a sola do tênis; jeans embrulhando meia dúzia de quilos de carne magra, incapaz de esconder o corpo ossudo. Led Zeppelin retumbando no cérebro ainda despoluído pela neurastenia séria, rotineira e sem graça do mundo adulto. O compromisso firme de não ter compromissos. Assim eu viajei de carona para Santa Catarina quando consegui proclamar o primeiro suspiro de independência na minha vida.Nem barraca eu tinha, desenrolava um cobertor e me esticava em qualquer lugar. Se fosse fácil, não tinha graça: o que valia a pena era a lenda. O universo inteiro se movimentando conforme o desejo momentâneo do meu pensamento mágico. Nada que um simples toque de uma varinha não resolva. Fome? Dê-lhe cachaça! Cansaço? Dê-lhe cachaça! Medo? Dê-lhe cachaça! Cachaça? Cachaça! E assim, quilômetros iam sendo engolidos, os dias chegavam azuis e as noites eram dormidas sem muito frio. As cidades daquele tempo abrigavam alguns remanescentes de um tipo de irmandade que se reconhecia pelo andar arrastado, rumo ao infinito, típico daqueles que não estão muito interessados em saber para onde vão. Simplesmente uma questão de limites: os limites estão onde os colocamos. Então, tudo o que se tem a fazer é não pensar muito nisso e seguir adiante. Próxima parada? Para onde a carona levar.
Mas logo, logo, o peso da realidade começa a se fazer sentir porque não se tem mais a garantia da asa protetora da família. O mundo dos fatos impõe a sua própria linguagem, e nela não há significado lógico para “o poder das varinhas”. Os carros passam e não param. Para onde ir, se não há carona?
Deixar que o destino mande na nossa vida é próprio de um tempo que pertence a algum lugar encantado das nossas memórias. Continuo desconfiando de que Adão foi expulso do paraíso quando era adolescente. Marcado no inconsciente coletivo da humanidade está o mito do rito de passagem, uma condensação da época na qual já não somos mais crianças, mas também ainda não somos adultos. É o tempo de começar a aprender sozinho o que todo mundo passou a vida inteira tentando nos ensinar; é o tempo de conhecer os limites que separam a lenda dos fatos. E, pior do que isso, ter que decidir a escolha sozinho.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Pessoas com problema auditivo podem conseguir o aparelho gratuitamente
Desde setembro de 2004, a Portaria GM 2.073, do Ministério da Saúde, instituiu a Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva, para atendimento integral de pessoas com deficiência auditiva, oferecendo ações de promoção da saúde, prevenção e identificação precoce de problemas auditivos, de média e alta complexidade, além de diagnóstico, tratamento clínico e reabilitação com o fornecimento de aparelhos de amplificação sonora e terapia fonoaudiológica, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Antes, as pessoas com deficiência auditiva já recebiam gratuitamente do Sistema Único de Saúde (SUS) os aparelhos auditivos. Com a Política Nacional, no entanto, foram englobadas diferentes ações, como acompanhamento dos pacientes em reabilitação auditiva pelo uso de prótese, não restringindo o atendimento somente ao fornecimento gratuito do aparelho.
Duas portarias ligadas à Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) do Ministério normatizam a nova política: as de nº 587, de 07 de outubro de 2004, e 589, de 8 de outubro de 2004. Elas apresentam proposta para organização das redes estaduais de serviços de atenção à saúde auditiva, com a descentralização do atendimento e a presença de serviços em todo o Brasil.
Segundo o médico foniatra e diretor geral da Derdic, Alfredo Tabith Junior, O sistema está bem organizado e permite a concessão do aparelho que o paciente realmente necessita, de acordo com as características de sua perda auditiva, sem as antigas licitações que traziam muitos problemas ao usuário. A Derdic é a Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação, ligada à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP.
"Como a portaria é bastante recente, ainda não pudemos avaliar as modificações que serão necessárias, o que poderemos fazer após algum tempo de prática", observa. Segundo o médico, são oferecidos três grupos de aparelhos que cobrem a maior parte das necessidades de usuários, atendendo, portanto, a demanda dos pacientes. São eles: o micro-canal, o menor modelo e é colocado no canal do ouvido; o modelo intra-canal, mais discreto, também dentro do ouvido; e o modelo retro-auricular, posicionado atrás da orelha.
Tabith Junior lembra que, por ser uma política de âmbito nacional, todo brasileiro tem direito ao aparelho, bastando para isto acessar instituições credenciadas pelo SUS. "Há alguma espera, porque a indicação do aparelho adequado a cada paciente toma algum tempo e precisa ser realizada em várias sessões. Além disso há uma demanda muito grande", destaca, lembrando que são aproximadamente 150.000 pessoas com perdas auditivas somente na cidade de São Paulo.
Ele afirma, ainda, que o programa prevê um acompanhamento de todos os pacientes, bem como a reposição do aparelho em caso de roubo ou falha técnica e em casos de perda auditiva progressiva. Também prevê atendimento fonoaudiológico.
Origem da prótese auditiva
A invenção do telefone, por Graham Bell, em 1876, possibilitou a construção do primeiro aparelho auditivo elétrico(1900), através da adaptação de sua tecnologia. A evolução do desenvolvimento dos aparelhos auditivos, desde então vem ocorrendo de forma bastante veloz.
A seleção do aparelho auditivo requer uma equipe multidisciplinar, contando com otorrinolaringologista, fonoaudiólogo, pediatra ou geriatra, etc. Cabe ao otorrino garantir o diagnóstico apropriado, indicando o grau e a natureza da perda auditiva, e a necessidade do uso da prótese auditiva.
O aparelho auditivo eletrônico é um mini-amplificador que tem como função conduzir o som à orelha do indivíduo, coletando e transmitindo a onda sonora, adicionando energia necessária, e evitando a dispersão do som, com a menor distorção possível. Seu objetivo é aproveitar a audição residual de modo efetivo, através da amplificação
Funciona assim: as ondas sonoras são captadas por um microfone e transformadas em sinal elétrico. Esses sinais atingem um amplificador composto por vários transistores e outros componentes eletrônicos que trabalham em conjunto. É válido ressaltar que a escolha do aparelho auditivo depende do tipo e da configuração da perda auditiva, a qual deve ser balizada por profissional competente.
Para pleno e adequado uso do aparelho auditivo, o usuário deve observar o seguinte:
- Avaliação audiológica por profissional.
- Conhecer e avaliar a variedade dos modelos disponíveis.
- Conhecer os aspectos peculiares de sua deficiência auditiva, do aparelho e seu uso.
- Contar com acompanhamento profissional durante o período de adaptação.
- Desligá-lo quando não estiver sendo usado, devendo ser removida sua pilha.
- O aparelho auditivo não pode ser exposto a temperaturas altas ou a umidade.
- Deve sempre ser removido antes do banho.
- Deve ser retirado antes do uso de secador ou spray de cabelos.
- Deve ser removido para exames de raio-X ou similar com radiação.
Serviço
Derdic (PUC-SP) - (11) 5549-9488
http://www.pucsp.br/derdic/
(LINK TESTADO)
Fonte: Jornal da AME edição nº 49
http://www.ame-sp.org.br/noticias/news/tenews68.shtm
(LINK TESTADO)
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Indo para Foz do Iguaçu pelas Missões
2009, 25 de julho - saímos eu, a Maria e as crianças, às 9h de casa. Pegamos a Tabaí-Canoas e nos mandamos para a região das Missões. No caminho, passando pela cidade de Tio Hugo, entramos na estrada que vai para Cruz Alta e fizemos um pequeno desvio para entrar em Victor Graeff.
Victor Graeff é um pequeno município no qual a principal atração é a sua praça de ciprestes cortados à moda Edward Mãos-de-Tesoura (quem será que veio antes nessa história?). Em volta desta pracinha, simplesmente maravilhosa, três igrejinhas. E dentro da pracinha, um pequeno museu que estava fechado no sábado - deveriam avisar às secretarias de turismo dessas cidades que turismo se faz, principalmente, nos fins de semana, não é mesmo?
Voltamos para a estrada e seguimos em direção a Cruz Alta. Não tínhamos muita esperança de encontrar o Museu Erico Verissimo aberto, mas a cidade ficava no caminho e estávamos em clima de aventura mesmo. Demos algumas voltas pelo centro, onde, lá pelas tantas, perdemos a indicação do museu na sinalização das placas da cidade - como é mal feita a sinalização no nosso estado, tanto nas cidades como nas estradas. Não achamos o museu; ligamos, ninguém atendeu. Demos adeus ao berço do pai do Luiz Fernando e nos fomos estrada afora novamente. Próxima parada, Ijuí.
A tarde já estava escurecendo e tínhamos reserva no Hotel Spa Fonte Ijuí, um hotel muito bacana - caro, mas muito bacana, com alas de quartos todas em um só pavimento, distribuídas numa espécie de parque natural, cercado por vegetação nativa, rodeado de trilhas, com minigolfe, pracinha, bar, piscina. Muito legal. Comida excelente. Você abre as torneiras do hotel e sente a viscosidade da água mineral, parece que tem gel misturado. Ijuí tem fontes minerais fora do hotel, mas toda a canalização da água nele é feita com água mineral, inclusive o banho, com propriedades medicinais. Descansamos que foi uma beleza. No dia seguinte, o frio tinha deixado uma película de gelo sobre o carro. Friozinho mesmo. Depois de um café da manhã reforçado, o carro bufou todo o frio pra trás e voltamos para a RS-234.
Chegamos em Santo Ângelo (http://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_Ângelo) cedo, o sol batia baixo nas torres da Catedral Angelopolitana, construída em pedra grés tal como foram construídas no passado as igrejas das reduções jesuíticas. Impõe-se pesadamente na praça central e não fica devendo, em termos de beleza, a algumas das atrações que vi na Europa. Entrando na catedral, numa manhã de domingo, em meio a uma cerimônia de batismo. Apreciando a pintura novinha, os detalhes ainda coloridos, as esculturas brilhando, tem-se a impressão verdadeira de estar num templo recém construído. E meu amigo, a impressão é verdadeira mesmo. Dá pra se sentir orgulhoso de que, pelo menos em alguns lugares do nosso Rio Grande, a cultura local ainda é valorizada e preservada.
Saindo da Catedral, o programa obrigatório é visitar o museu Municipal Dr. José Olavo Machado, bem ali ao lado. Um primor de museu, que foi a casa de um médico muito famoso na cidade. Aberto domingo de manhã, como convém a quem visita estas cidades no fim de semana. Muito bem recebidos por uma senhora, que desconfio ser a diretora do museu, fomos logo informados sobe o acervo e as características de cada sala, enquanto o Caio já saia filmando o interior do prédio e as peças expostas ... e a Betina, enciumada porque não tinha máquina fotográfica, ia perseguindo-o puxando-o pelo blusão e resmungando atrás. Todas as peças são extremamente bem cuidadas, bem expostas, e logo ali, no pátio do museu, encontra-se um lugar super-agradável pra se tomar um chimarrão e deixar o sol esquentar o corpo. Muito bacana. Se forem lá, não deixem de visitar.
Dali, a dica é ir para outra praça, onde se localiza a sede do sindicato dos artesãos da cidade. Lá tem um pequeno brique nas manhãs de domingo, com artigos de artesanato, roupas, mantas, toucas, brinquedos, toalhas, colchas, redes, um sonzinho rolando ao vivo e a paquera solta em cada canto. Pertinho está a estatua de Sepé-Tiarajú (http://pt.wikipedia.org/wiki/Sepé_tiaraju) e logo mais adiante está o Memorial Prestes, uma estação ferroviária remodelada contendo fotos, painéis, roupas, muita coisa interessante sobre a Coluna Prestes (http://pt.wikipedia.org/wiki/Coluna_Prestes).
Se você tiver preguiça de seguir o link ali atrás, explico rapidamente que a Coluna desbravou o interior brasileiro entre 1925 e 1927, caçada pelos comandos da República Velha e chegou a cobrir 25.000 km (!!!). Lá tem um velhinho muito bacana, extremamente nostálgico dos tempos áureos da ferrovia em que trabalhava. Abriu uma gavetinha, pegou uma chave, abriu o cofre e dali nos deu um papelzinho com o código morse impresso. As crianças cercavam o velhinho para vê-lo manejando o telégrafo e a gente sentia em cada canto daquela velha estação o coração e o amor daquela pessoa por cada tijolo, por cada lembrança, orgulhosa de ter pertencido a um passado heróico e que, infelizmente, provavelmente acabará quando aquela pessoa um dia - que não está muito distante - expirar.
Saindo de Santo Ângelo você retorna para a RS-234 e entra para o eixo principal da rota das Missões. À beira da estrada, quase chegando à redução de São João Batista, vai passar pela Vinícola Fin. Não seja apressadinho, dobre à direita na entradinha e vá conhecer “Seu” Jorge Fin, um abnegado que montou, com ajuda da irmã, uma produção própria de vinhos. Converse um pouco com ele e vai ver que, mesmo com aquela cara de colonão italiano (olha o preconceito!), o cara já fez até pós-graduação em Enologia, recebe excursões para provar a comida típica que ele serve aos domingos (mínimo de 15 pessoas, reservando assento na mesa) e ainda é contratado por diversas universidades para dar palestras sobre o mundo da vitivinicultura. Leve algumas garrafas de vinho, um suco para as crianças e estimule o empreendedorismo do “Seu”Jorge. Faz bem pra ele e pra nós mesmos.
Logo em seguida, voltando à rodovia, pega-se uma estradinha de chão pertinho para conhecer o que restou da redução de São João Batista (http://www.rotamissoes.com.br/_portugues/oQueAtrativosMissoesSitiosBatista.php). Vale a pena curtir a paisagem e imaginar a que ponto de civilização chegaram os jesuítas em seu empreendimento cooperativista (o primeiro do Novo Mundo, em pleno século XVII) e indignar-se com o massacre e genocídio completo dessa gente que mal não fez a não ser acreditar que poderia viver em paz. Fiquei impressionado não só com as ruínas, mas tb com as árvores possantes que dominam o cenário ...quem será que plantou? ... uma vez que elas erguem-se exatamente na linha dos muros que ainda existem .... Conselho importante: não tome água dos bebedouros da administração. A Betina tomou e ficou uns três dias com diarréia.
Dali, o próximo ponto é São Miguel, imagem que permanece na nossa memória visual sempre que se vê uma foto a respeito dos Sete Povos das Missões. Incrivelmente e de uma forma um tanto inesperada, as ruínas da Igreja principal aparecem no meio de uma quadra dentro da cidade, sem qualquer proteção aos monumentos espalhados sobre a grama, a não ser um que outro guardinha um tanto relapso. O fato é que a criançada fica subindo nas paredes, nos muros, caminha sobre os tijolos ancestrais e, se quisesse, poderia até levar uma “lembrancinha’ pra casa “na moita” .. impossível controlar tanta gente ... e isso que nem havia tantos turistas nessa época de paranoia gripal ... Fiquei pensando no museu arqueológico de Barcelona, onde se caminha sobre estrados de madeira e olha-se as ruínas através de paredes de vidro e, em nenhum momento é permitido ao visitante sequer tocar nos materiais antigos. É, ainda temos muito a aprender com o Velho Mundo ...
Nos instalamos no Wilson Park Hotel. Quarto gigantesco, quádruplo. Um luxo. Mas a TV detonada por um raio e um problema na caldeira nos fizeram mudar pro quarto ao lado. Ora bolas ... porque nos deixaram instalar ali, então ? Como o hotel estava praticamente vazio, imaginamos que alguém teria desistido por causa da Gripe A e então nos liberaram para o outro quarto. Mesmo assim, a TV só pegava a RBS ... mas quem estava ali pra assistir TV? À noite nos entrouxamos todos para o frio e nos mandamos pra ver o tal do “Espetáculo de som e Luzes”. Depois de 15 minutos sentados no escuro, ouvindo aquele palavreado tipo “Ó vós que adentrai na mata, persigai os rudes nativos da mata, embrutecidos pela noite dos tempos ...”, olhei para a Betina, que não estava entendendo nada do assunto. O Caio ainda tinha aprendido alguma coisa sobre as Missões no colégio, mas aquele rebuscamento todo era realmente muito chato ... deveriam modernizar um pouco o texto, antes que a juventude desista de assistir ao espetáculo. Quando as luzes começam a acender e “dialogar” junto com a mixagem dos sons até que fica interessante, mas não mais do que uns vinte minutos. Pensei: até que poderiam fazer umas esculturas do Sepé Tiaraju, dos comandantes, do exército, dos índios, etc e acender as luzes conforme os diálogos e a narrativa .. sei lá, acho que ficaria mais dinâmico, interessante ...
Dormimos em São Miguel e pela manhã seguimos viagem para São Luiz Gonzaga, onde fica a redução de São Lourenço Mártir, local da primeira siderúrgica das Américas e que teve o destino terrível dado a todas as reduções jesuíticas: massacre e destruição. Fomos dali para São Nicolau rodando por estradinhas estreitas e esburacadas, nas quais é difícil avistar caminhões, muito menos carros. Em São Nicolau resolvemos um problema com o nosso cartão do BB (onde quer que vc vá, nestes confins do Brasil, vai encontrar uma agência do Banco do Brasil ... aliás, não lembro de ter visto Caixa Federal nestes fins de mundo, mas vi muita agência da Sicredi). As ruínas de São Nicolau ficam numa praça central e mais uma vez senti falta de uma proteção mínima para os destroços das construções, um mínimo senso de preservação daquele tesouro arqueológico, no qual provavelmente as crianças brincam escalando as paredes e muros ancestrais e quem sabe até levando pedaços pra brincar em casa, na escola, no mato ... até quando vai existir o que visitar é uma boa pergunta. Carros e caminhõezinhos feitos à mão eram uma constante na cidade. Uma hora nos perdemos e fomos dar num casarão fantástico antiquíssimo ... Impressionante mesmo, uma sensação de ter atingido uma espécie de fim do mundo me invadiu, talvez pela inexistência de tráfego nas rodovias ... meio assustador, não gostaria de viajar à noite ali ...
Até São Miguel tínhamos programado os hotéis, mas a partir dali era pura aventura. De São Nicolau, de onde saímos depois do almoço, começamos a subir em direção à Foz do Iguaçu. E não tinha nenhuma estrada em linha reta, estávamos numa das regiões mais ermas do estado. Em direção a Santa Rosa, com uma péssima sinalização nas estradas, algumas vezes precisávamos entrar na cidade para seguir na rota principal, às vezes era preciso seguir por outro caminho.E mais de uma vez, tivemos que voltar porque tinhamos pego o caminho errado. Assim, tateando, indo-e-voltando, perguntando, quase fomos parar em Porto Mauá, fronteira com a Argentina. Voltamos. Nos indicaram ir por Três de Maio, Três Passos, e quando anoiteceu estávamos chegando a Tenente Portela. Em Tenente Portela achamos o Salto Grande Tourist Hotel, do “Seu” Carlinhos, uma figuraça. O cara arranjava tudo pra nós ... eu queria tomar um vinho, mas o hotelzinho só tinha cerveja. O que que ele fez? Saiu comigo, andamos uma quadra, chegamos numa fruteira que já estava fechada ... ele bateu, o dono abriu e voilá! Saí dali com uma garrafa de DOIS LITROS DE VINHO, por R$ 8,50 ... e eu iria dizer que não queria aquele vinho vagabundo ... hehehe ... eu não, depois de todo o esforço do Carlinhos eu é que não iria negar .. tomei uma taça daquele vinho no quarto, joguei o resto pra formigas sem ninguém ver e fique bem faceirinho ... hahahahah ...Era um hotelzinho fuleirinho, mas o “Seu” Carlinhos arranjava tudo que a gente precisava .. até internet pro notebook ele abriu, liberando de graça a rede do hotel. O Seu Carlinhos nos avisou que o Salto do Yucumã (http://www.turismoyucuma.com.br/?pg=o-salto), a grande atração da região, estava sem graça, porque o rio estava cheio demais, escondendo o desnível entre suas margens, que é a grande curtição internacional (são 1,8 Km de quedas d’água, o que o torna o maior salto em comprimento do mundo) do Parque do Turvo. Já sabíamos, então, que não valia a pena passar por ali na volta de Foz.
Na manhã seguinte, passamos por Frederico Wetphalen, que, à distância, vista pela RS-168, me pareceu uma metrópole crescida demais, um tanto sinistra, para o meu gosto. Naquela região tinha tráfego muito pesado, caminhões, tratores, carretas, muitos subindo em direção a Santa Catarina e, por isso, deixando o asfalto completamente estraçalhado nos últimos quilômetros entre o Rio Grande e Santa Catarina. Cruzando a enorme ponte sobre o rio Uruguai e chegando ao lado catarinense é como se a gente deixasse de caminhar por sobre um chão de pedras, buracos, desníveis, trechos e trevos extremamente mal sinalizados, para passar a andar sobre um tapete impecável de asfalto. E quando chegávamos a um trevo catarinense, sempre existia pelo menos uma placa indicando qual a próxima cidade, qual vinha depois dessa e a distância entre elas. Que inveja! E NENHUM PEDÁGIO nos foi cobrado em qualquer lugar em SC ou PR até a cidade de Foz do Iguaçu.


